Vitória histórica do SECHOBAR: empregador faz retratação pública a trabalhadoras após processo de 995 páginas
- SECHOBAR

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Balneário Camboriú, 17 de agosto de 2026 — Após quase cinco anos de luta, o SECHOBAR conquistou uma vitória histórica em defesa da dignidade das trabalhadoras da categoria. Em audiência realizada nesta terça-feira (11), um empregador de Balneário Camboriú foi obrigado a fazer retratação pública a trabalhadoras de um restaurante que, entre 2021 e os dias atuais, enfrentaram humilhações e constrangimentos no ambiente de trabalho.
O caso, que acumulou 995 páginas de processo judicial, teve decisões favoráveis às trabalhadoras em todas as instâncias. Mesmo após os recursos apresentados pela defesa do empregador, a Justiça manteve a condenação e determinou que a retratação não poderia ser mera formalidade — deveria ser efetiva e demonstrar genuíno arrependimento.
O que as trabalhadoras enfrentaram
Durante o processo, foram relatadas ao Ministério Público do Trabalho e à Justiça situações de assédio moral que não deveriam existir em nenhum ambiente de trabalho. As trabalhadoras teriam sido chamadas de "velhas", "burras", além de ouvirem frases como "só pensam em comer" e "quem mandou ter filho".
A presidente do SECHOBAR, Olga Ferreira, que participou pessoalmente da audiência, enfatizou que esse tipo de situação reflete uma realidade que ainda atinge muitas mulheres no mercado de trabalho:
"Essas trabalhadoras passaram por tudo isso em uma condição de submissão que, infelizmente, muitas mulheres ainda enfrentam no ambiente profissional. Se fossem homens vivendo determinadas situações, será que teriam sido submetidos a tudo isso?"
Olga também criticou diretamente a postura do empregador:
"O nome que se dá a homens que agem dessa maneira é covarde. Se fossem homens no lugar dessas mulheres, provavelmente ele jamais falaria daquela forma, porque haveria uma reação imediata."
Uma audiência inédita
Para Olga Ferreira, a audiência foi um marco em mais de duas décadas de presidência do SECHOBAR:
"Em 20 anos de atuação, eu nunca tinha participado de uma audiência como esta. É muito forte ver trabalhadoras que passaram por situações tão difíceis chegarem a este momento, diante da Justiça, para terem sua dignidade reconhecida."
O SECHOBAR parabenizou a atuação do Ministério Público do Trabalho e do juiz Leonardo Fischer, que conduziram o caso com olhar humano:
"A Justiça também precisa ter esse olhar humano, porque estamos falando de pessoas, de sentimentos, de dignidade e, muitas vezes, de marcas que permanecem por muito tempo."
Saúde mental começa no respeito
A presidente do SECHOBAR aproveitou para reforçar que a pauta da saúde mental está diretamente ligada às condições de trabalho:
"Fala-se muito hoje em saúde mental, mas precisamos falar muito mais sobre isso dentro dos ambientes de trabalho. Saúde mental significa ter respeito, ser ouvido, não ser humilhado, não sofrer pressão ou constrangimento e poder trabalhar com dignidade."
E completou:
"Nenhuma trabalhadora deveria precisar chegar a uma audiência de retratação para ter sua dignidade reconhecida. Nenhuma mulher deveria ser desrespeitada porque está em uma posição hierárquica inferior ou porque depende daquele salário para sustentar sua família. O trabalho não pode ser um espaço de medo."
O que isso significa para a categoria
Esta vitória reforça que o SECHOBAR está ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras em todas as instâncias. Desde 2021, o sindicato acompanhou o caso, estruturou a defesa, recolheu provas e garantiu que as trabalhadoras não desistissem de seus direitos.
O caso também reafirma uma mensagem clara: ninguém precisa aceitar humilhação como parte do trabalho.
Você precisa de ajuda?
Se você está passando por situações de constrangimento, assédio, desrespeito ou qualquer irregularidade no seu ambiente de trabalho, procure o SECHOBAR. A assessoria jurídica é gratuita para a categoria.
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